Um dia no maraca que podíamos esquecer, mas não devemos

Por Larissa Maciel

Lambança e soberba. Duas palavras resumem bem o que aconteceu em um domingo que devia ser de pura festa no Maracanã, palco de tantas felicidades, de tantos duelos inesquecíveis. Dessa vez, a lembrança histórica de um tempo quase inteiro SEM TORCIDA numa final de tava Guanabara é o tom melancólico que nosso futebol gerou.

Gerou pela ganância, pela necessidade de se colocar acima do adversário, pelo desejo de se sentir maior em indivíduo do que a paixão de tantas pessoas, de tantas gerações, de tantos corações. Aqueles 30 minutos pareciam mesmo um velório de um futebol tão primoroso, sentido pela imprensa e pela torcida que estava em casa, mas lá fora… o pior.

O dirigente do Fluminense preferiu utilizar a palavra GUERRA em uma de suas afirmações mais contundentes da semana. Lamentavelmente, transformou-se em realidade fora do nosso querido maraca. Bombas, gás, lágrimas. Gerações sentindo medo, pais, mães, avós e avôs com o grito de gol entalado na garganta, mas o de medo espalhado lá fora.

Esse é o país do futebol? Esse é o país que se diz o dono do esporte mais querido do mundo?

A pequenez dos dirigentes pode até se sobressair por alguns minutos, mas o torcedor, ele salva porque ama as suas cores. A torcida vascaína deu um show e conduziu o time à vitória. O título foi o detalhe que coroou o fim de um silêncio absoluto e o ecoar da paixão do brasileiro onde devia acontecer.

Parabéns ao Vasco pelo título. Aos antagonistas do silêncio e da guerra, meu repúdio.

 Larissa Maciel – jornalista

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