O melhor não precisa ser de fora, nem estritamente de dentro

por Larissa Maciel

O Mundo conheceu o novo campeão de uma Copa que, com absoluta certeza, já deixou saudades. Uma Copa feita em um país conhecido por problemas políticos, questões sociais bastante complicadas, que não cabe a mim em poucas linhas dizer os horrores que existem na Rússia, mas que até foram esquecido por um mês pelo “calor” que traz uma competição dessa magnitude e a oportunidade de confraternizar com diferentes raças, povos e cores, entre a alegria e a tristeza, a euforia e o silêncio.

A Copa do Mundo da Rússia me trouxe esperanças e desesperanças. Ver a França como a grande campeã cheia de imigrantes deixa um belo recado a um Mundo cada vez mais hostil, segregado. Ver uma Croácia chegar à final é o fator surpresa que premia a união, o desejo de superar a dor física, o cansaço mental por um motivo maior. Ver tanto assédio às jornalistas esportivas me deu mais vontade de estudar este tema na finalização da minha graduação, mas me dá medo ao ver que, para alguns, assédio é piada e se tornou banal. Mas olha, antes de todas as vezes que a bola rolou, essa Copa serve para refletirmos.

Caro torcedor, torcedora canarinho. Você que se vestiu de amarelo, verde, azul ou não vestiu nenhuma das cores do nosso país. Você que vibrou, torceu, xingou ou nem isso fez, só ficou no seu cantinho, torcendo silenciosamente. Gostaria de falar uma coisa bem séria a cada um (a) de vocês que estão usando um pouco do seu tempo para ler este texto: o melhor não precisa ser de fora, nem muito menos estritamente de dentro.

A grama da França não foi mais verde que a do Brasil nesta Copa. Nem a da Bélgica, Inglaterra, Croácia etc. Nosso time não foi o melhor, nem muito menos se tornou fracasso. Não somos os mais disciplinados e éticos, mas também faltou ética às outras equipes em vários momentos, enquanto reinou a hipocrisia. Se eu pudesse fazer um único pedido a todos e todas nós até o Catar é de que saibamos enxergar as maravilhas de fora, mas jamais esqueçamos das nossas riquezas, da nossa força, do que foi feito no nosso terrão, do nosso barro vermelho.

Tornou-se comum ver brasileiros e brasileiras torcendo contra a seleção por questões políticas, outras por pura escolha e eu respeito, vai de cada um. Não acredito que torcer contra a seleção vá mudar o país, mas é a minha opinião. O que na verdade acredito é que precisamos parar de só enxergar a beleza no outro, porque antes de mais nada, também existe muita beleza aqui.

Da mesma forma que todos (as) nós, precisamos também aprender com o que vem de fora. Aprendermos a respeitar as cores de outras bandeiras, suas tradições, culturas. Aprender a dialogar e evoluir com erros para não insistir neles. Aprender a crescer e a saber sofrer. Não somos melhores, nem piores, apenas somos. E somos tanto, que somos penta com um futebol que marcou diferentes gerações, diferentes culturas e povos e trouxe o olhar brilhante de uma linda diversidade que faz esse mundo ser mundo.

Brasil, MUNDO! Veja o quão belo é o croata, o francês, o belga, o inglês, mas repare quão diversos somos nós. Este não é um texto patriota, mas um longo desabafo de uma “analista de futebol”, que é apaixonada pela bola, mas principalmente pela diversidade que ela valoriza, proporciona e pela emoção que ela dá desde o menino do terrão até o campeão do Mundo. Que existam adversários, jamais inimigos. Que saibamos valorizar o é de dentro e de fora, sem menosprezos, depreciação, desdém.

O melhor pode ser a união do que é de fora com o que é de dentro, com o que é verde, amarelo e azul, mas também é vermelho, é laranja, preto ou branco. O melhor é tudo num lugar só. É isso que a Copa também nos traz. Obrigada por ler até aqui.

Larissa Maciel – estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da UERN

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