Jejum intermitente: o que a ciência diz

por Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

Junto a dieta low carb high fat (carboidratos baixos e gordura alta), o jejum intermitente virou moda por ser adotado e divulgado por várias celebridades do mundo inteiro.

Mas o que é jejum intermitente?

O que a ciência diz sobre ele?

Realmente funciona?

Jejum intermitente nada mais é que uma estratégia de emagrecimento que visa intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação. O objetivo é fazer com que o corpo utilize os estoques de gordura e com isso haja uma perda de massa gorda. O mais comum é ficar sem comer durante 16 horas intercalando os dias, ou 24 horas duas vezes por semana.

O que diz a ciência?

* Um estudo dividiu 32 obesos em jejum intermitente com dietas high fat (baixa em carboidratos e 45% gordura) e Low fat (mais carboidratos e 25% de gordura) para descobrir qual estratégia gerava maior perda de peso. Ao final das dez semanas, os resultados foram os mesmos. Peso reduziu em média 4.5%, gordura de 5.4kg a 4.2kgs e massa muscular foi mantida. LDL e circunferência de cintura também reduziram igualmente, sem alteração no HDL e pressão arterial. Ou seja, resultados iguais!

* Outro estudo recrutou cem voluntários com excesso de peso e os distribuiu aleatoriamente por três grupos: um de alimentação comum; um que faria a tradicional dieta de contagem de calorias; e o terceiro que realizaria o jejum intermitente. Foi constatado que os participantes que praticavam o jejum consumiam 25% da sua ingestão calórica diária normal no “dia do jejum” e 125% no dia seguinte. Enquanto isso, o grupo com restrição calórica consumiu 75% de sua ingestão diária, e o grupo que não mudou seus hábitos não registrou alteração na ingestão de alimentos. Os pesquisadores também concluíram que existe alta taxa de dificuldade de aderir ao jejum intermitente.

* Um estudo colocou 23 mulheres obesas para fazerem restrição calórica de 40%, e em seguida jejum intermitente com protocolo Ramadan (15 horas de jejum). A média de perda de peso durante o mês para restrição calórica foi de 1,25kg enquanto que no jejum 0,5kg. Glicose, hemoglobina glicada, insulina e TSH (hormônio estimulante da tireoide) foram diminuídos em ambos os grupos, sem diferença.

* Já um estudo assinado por Longo e Mark Mattson, de 2014, mostra que a estratégia de sobrevivência em jejuns já se mostrava eficaz e benéfica para as primeiras formas de vida, em bactérias e leveduras que surgiram há bilhões de anos.

* Estudos com roedores, demonstram fortes indícios que dietas de jejum intermitente melhoram o sistema imune, a capacidade cognitiva e ajudam no tratamento do câncer.

O problema é que ainda não há estudos consistentes feitos com humanos que demonstrem esses benefícios.

O jejum te dará menos fome?

Tudo vai depender da adesão. Tem gente que fica quatro horas sem comer e o estômago já ronca. Tem gente que não se importa em ficar o dia todo.

Funciona ou não?

Jejum, low carb e dieta fracionada são todas ESTRATÉGIAS que funcionam, sem superioridade para nenhuma. Os bons resultados viram principalmente da consistência que você terá em uma dieta bem elaborada. Não seja devoto de apenas uma, achando que outras não prestam.

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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