Estudante da Ufersa é premiada em Feira Internacional de Ciências e Engenharia dos Estados Unidos

por Assessoria UFERSA

O verde e o azul da Ufersa marcaram presença no palco dos vencedores da festa de premiação da Intel ISEF, que é a Feira Internacional de Ciências e Engenharia realizada anualmente nos Estados Unidos. A cerimônia aconteceu nesta sexta, dia 17, na cidade de Phoenix, no Arizona, e contou com cerca de 1.800 estudantes de todo o planeta. E entre esses estudantes, estava uma mossoroense, aluna da Ufersa e egressa da Escola Estadual Hermógenes Nogueira Costa.

Ekarinny Myrela Brito de Medeiros, de apenas 18 anos, foi a única representante do Rio Grande do Norte na Intel ISEF deste ano. Ela apresentou o trabalho “Desenvolvimento de cateter bioativo proveniente do aproveitamento do líquido da castanha do caju (Anacardium occidentale) como alternativa na prevenção de infecção sistêmica”. Trabalho esse que foi desenvolvido quando a jovem ainda era aluna de ensino médio da rede pública estadual, dentro do âmbito do Programa Ciência para Todos no Semiárido Potiguar da Ufersa.

Os finalistas da Intel ISEF disputam prêmios que giram em torno de U$S 4 milhões. Os trabalhos são julgados por sua capacidade criativa e pensamento científico, bem como pela eficácia, habilidade e clareza demonstradas em seus experimentos. “Somente 25% de todos os participantes receberam algum tipo de premiação na Intel ISEF deste ano, dentre estes 25% estamos nós, com dois prêmios”, comentou Natália Celedônio, bióloga da Ufersa e integrante do Programa Ciência para Todos no Semiárido Potiguar.

A cerimônia da premiação da Intel ISEF foi dividida em dois dias, começando nesta quinta, dia 16, com as premiações especiais oferecidas por instituições parceiras, e terminando nesta sexta, dia 17, com a premiação oficial. O trabalho de Ekarinny faturou o 1º lugar da Patent and Trademark Office Society – prêmio de US$ 500,00 – e também o 4º lugar na categoria Translational Medical Science (TMED) – prêmio de US$ 500,00 também.

Além destas duas premiações oficiais, a aluna da Ufersa recebeu um convite para publicar o seu projeto no International Journal of High School Research. “Nunca imaginei que poderia subir duas vezes no palco da Intel e conseguir o quarto lugar na minha categoria. Queria agradecer a todas as pessoas que me ajudaram, ao Governo do Estado, ao Programa Ciência para Todos, a Ufersa – a minha universidade, ao CCAA, aos vereadores que me apoiaram. Sintam-se todos abraçados”, agradeceu Ekarinny.

A orientadora do trabalho de Ekarinny foi a professora Luisa Kiara. “Muito importante para nós fazer ciência e ver que nosso trabalho, mesmo com as limitações que temos de escola pública, conseguimos trazer trabalhos tão bons, tão legais, e poder compartilhar com o mundo aquilo que podemos fazer”, comemorou Kiara.

RESUMO DO PROJETO

Os cateteres são dispositivos de fundamental importância e os mais utilizados em todo o mundo no tratamento de pacientes graves internados em UTI. São utilizados também para tratamentos de pacientes hospitalizados ou em procedimentos adicionais como medicações e hemodiálises. Contudo, a utilização de cateteres representa um grande potencial de complicações infecciosas na corrente sanguínea. O patógeno mais encontrado nestas infecções são os Staphylococcus aureus, uma bactéria esférica, gram positiva, frequentemente encontrada na pele e nas fossas nasais de pessoas saudáveis, tento apresentado resistência à muitos antimicrobianos. Em contrapartida, em um outro setor da sociedade, uma problemática, são os resíduos agroindustriais da cultura do caju. De acordo com dados da fábrica de castanha da cidade de Mossoró-RN, (USIBRAS) cerca de 3 mil toneladas de LCC (líquido da castanha do caju) é armazenado por semana. O LCC representa cerca de 25% do peso da castanha, esse líquido tem como composto principal o ácido anacárdico. Pesquisas acadêmicas revelam que essa substância possui atividade inibidora comprovada contra o patógeno Staphylococcus aureus. Tendo em vista essas problemáticas, surgiu o interesse por desenvolver um cateter bioativo a partir do aproveitamento do LCC para combater a infecção de corrente sanguínea por colonização de Staphylococcus Aureus. A produção do cateter bioativo foi realizada a partir de um método simples, onde se utilizou 1ml de poliuretano vegetal (PU) derivado da mamona (Ricinus communis) e o 0,25 ml de LCC. Para verificar seu poder antimicrobiano o cateter bioativo foi submetido a testes laboratoriais. Os testes realizados demonstraram que o cateter bioativo apresenta propriedades eficazes para combater a infecção da corrente sanguínea por colonização de Staphylococcus aureus. Mostrando-se como uma alternativa viável e com um custo bem inferior aos cateteres convencionais.

Palavras-chave: Cateter, Staphylococos aureus, Infecção de corrente sanguínea

Fotos: cedidas.

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