ESPECIAL: Obesidade Infantil – Entrevista com a nutricionista Keicy Vieira

por Marina Castro - nutricionista - CRN 21432/P

Olá, Pessoas!

Hoje resolvi trazer algo diferente para nossa coluna, convidei uma amiga, também nutricionista para falar um pouco sobre o tema “Obesidade na Infância”. Keicy Vieira é Nutricionista formada pela Universidade Federal de Campina Grande e durante sua carreira acadêmica se dedicou a uma área de pesquisa conhecida como, Nutrição e Saúde Coletiva, onde a maioria dos estudos são direcionados a saúde pública da população. A maioria das pesquisas realizadas por ela foram, no entanto, dedicadas ao público infantil, com temas específicos em Educação Alimentar e Nutricional (EAN), com enfoque na prevenção e tratamento dos desequilíbrios nutricionais na infância (Obesidade e Desnutrição). Tendo inclusive participado do livro “Repasto Literário: Promoção da alimentação saudável e contação de histórias”. Que está sobre organização das professoras: Dra. Michelle Medeiros e Me. Vanille Pessoa. O livro traz contos e histórias sobre alimentação e pode ser usado como estratégia de EAN, tanto em casa como nas escolas.

Pergunta: E para começar eu gostaria de perguntar pra ela qual é o cenário atual e quais são as previsões futuras a respeito da obesidade na infância?

R: Olá Marina, antes de responder eu gostaria de agradecer o convite e dizer que é um prazer está vindo aqui na sua coluna falar de um tema tão importante e que merece uma discussão ampla, principalmente nas mídias sócias.

O cenário atual já é bem preocupante, As estatísticas mostram que, em 2014, 11% dos homens e 15% das mulheres com 18 anos ou mais estavam obesos e que mais de 6% das crianças abaixo de cinco anos já estavam com sobrepeso. E As previsões, só assustam, segundo a OMS o número de crianças com obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões em 2025.

A causa fundamental da obesidade e do sobrepeso é um desequilíbrio energético entre as calorias ingeridas e as calorias gastas. Assim, qualquer fator que eleve o consumo de energia ou diminua o gasto energético, pode causar obesidade em longo prazo. A importância desta condição na infância ocorre em função da complexidade do tratamento e da elevada possibilidade de persistência deste quadro na vida adulta.

Pergunta: E quais são as principais causas/fatores da obesidade na infância?

R: O aumento da prevalência do sobrepeso e obesidade são atribuídos a uma série de fatores, incluindo uma mudança global na dieta e uma menor tendência na prática de atividade física. Além disso, pode haver influências sociais, fisiológicas, metabólicas e genéticas. Uma criança com pais obesos, por exemplo, estará predisposta a ser obesa também, seja por uma questão social, de mal hábito alimentar, ou pela genética. Também pode apresentar obesidade em caso da criança sofrer algum transtorno psicológico.

Pergunta: A longo prazo, por que devemos nos preocupar tanto?

R: A prevalência da obesidade infantil vem apresentando um rápido aumento nas últimas décadas, sendo caracterizada como uma verdadeira epidemia mundial. De fato é bastante preocupante, pois a associação da obesidade com alterações metabólicas, como a dislipidemia, a hipertensão e a intolerância à glicose, até alguns anos atrás, eram mais evidentes em adultos; no entanto, hoje já podem ser observadas frequentemente na faixa etária mais jovem.

Pergunta: E quais são os principais cuidados que devemos tomar com os nossos pequenos para evitar o ganho de peso em excesso?

R: As dicas que eu irei dá aqui estão relacionadas a orientações gerais para uma conduta alimentar saudável, são 13 passos:

1 – É preciso ter horários fixos para as refeições e lanches (2 a 3 horas de intervalo);

2 – Fazer de 5 a 6 refeições diárias ;

3 – O tamanho do prato da criança deve ser proporcional a sua aceitação;

4 – Tornar a sobremesa/doce parte da refeição, e não utilizá-la como recompensa;

5 – Evitar a oferta de líquidos durante as refeições, isso pode provocar a distensão do estômago, o ideal é oferecer água nos intervalos e sucos 150 ml/dia;

6 – Salgadinhos, balas e doces devem ser evitados;

7 – Acomodar a criança a mesa nas refeições o ambiente deve ser calmo e sem estímulos externos como televisão e celulares.

8 – Envolver a criança nas tarefas ligadas a alimentação;

9 – Evitar a monotonia alimentar;

10 – Limitar a ingestão de alimentos com excesso de gordura, açúcar (industrializados);

11 – Evitar alimentos ricos em gorduras trans e sódio (industrializados);

12 – Oferecer alimentos ricos em ferro, cálcio, vitamina A e D e Zinco;

13 – Envolver a criança em alguma atividade física.

Além delas é bom ficar de olho na fase da introdução alimentar da criança, antes dos dois anos de idade deve ser evitado alguns alimentos como, açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas e usar sal com moderação.

E pra encerrar é importante lembrar que a alimentação é um aspecto fundamental para a promoção da saúde e no cuidado da saúde da criança. Porém, nosso hábitos alimentares são construídos no decorrer de toda uma vida, dessa forma, não devemos abordar um tema tão delicado como alimentação, apenas no ângulo da saúde. É muito mais que isso, comer e nutrir vai além do mero ato biológico, e entender e respeitar isso é primordial para construir estratégias eficazes contra a desnutrição e principalmente contra a obesidade. Ou seja, devemos criar as nossas crianças dentro de um universo onde se fale sobre alimentação, devemos envolvê-las nesse tema. Quer uma boa dica? Conte histórias para seus filhos que falem sobre alimentação saudável, os deixem conhecer os alimentos, participarem das preparações… E como a nutri Marina Castro sempre diz, Nutrição não é receita de bolo, procure um nutricionista e pense no presente e no futuro do seu filho.

Segue o link do livro citado à cima para quem tiver interesse na leitura:

Ideias na Mesa 

Beijos da nutri

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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