Candidíase: conheça as causas, sintomas e saiba como tratar

por Maricélio Almeida

Problema que atinge de três a cada quatro mulheres pelo menos uma vez na vida, conforme apontam estudos recentes, a candidíase é tema recorrente em ambulatórios médicos. Mas o que causa a infecção? Quais os sintomas? Como tratar? Como prevenir? O ginecologista e obstetra Maxson Bruno responde a esses questionamentos.

De acordo com o especialista, praticamente todos os dias ele recebe, em seu consultório, uma paciente relatando incômodo provocado pela candidíase. “É um tema corriqueiro no ambulatório. A cândida é um fungo (Candida albicans), que pode ser encontrado tanto no organismo feminino, quanto masculino. Na mulher ele coloniza a vagina, vive na vagina, e o desequilíbrio dessa colonização, por vários motivos, gera as crises de candidíase”, comenta o médico.

Segundo Maxson Bruno, como fungo, a cândida possui algumas características muito particulares: “Gosta de ambiente quente, úmido, abafado, e se a gente for pensar, o melhor lugar no corpo feminino para ela viver e se multiplicar nos seus desequilíbrios é a flora vaginal. O fungo cândida não tem cura, ele vive com a gente. Vários fatores levam ao desenvolvimento de crises, de quadros de candidíase durante toda a vida da mulher”, reforça o especialista.

O médico esclarece que a candidíase não é uma Doença Sexualmente Transmissível (DST), mas a relação sexual pode sim desencadear uma crise da infecção. “As mulheres comumente falam: ‘algumas vezes, após a relação, percebo que desenvolvo uma crise de candidíase’. É importante esclarecer que o intercurso sexual pode ser um momento, um gatilho para aquela vagina que estava totalmente propícia a desenvolver uma crise, com a fricção do ato sexual, a paciente pode vir a desenvolver a crise após a relação”, enfatiza.

Por ser uma vaginite, a candidíase apresenta sintomas inflamatórios vaginais, como irritação vulvar, vagina avermelhada, dolorida, mais sensível. “Nas crises, é muito mais comum que aconteçam situações como fissuras vaginais. Diante da sensibilidade dessa mucosa vaginal não é incomum que aconteça em algum momento um sangramento durante a relação sexual. Temos ainda aquele sintoma clássico: corrimento vaginal com aspecto de leite talhado”, explica o ginecologista.

E o que causa a candidíase? Alguns fatores como a vestimenta, hábitos alimentares e até mesmo questões psicológicas devem ser levados em consideração. “Começando pela vestimenta: nosso clima é super quente, então esse clima abafado, úmido muitas vezes, associado ao uso de uma vestimenta que não colabora muito, como calcinhas de lycra, jeans, muitas vezes por necessidade do ambiente de trabalho as mulheres acabam passando o dia inteiro com roupas apertadas, acaba acarretando o surgimento das crises”, relata Maxson Bruno.

O excesso de carboidrato, uma alimentação inflamatória, a partir da ingestão de processados, trituradores, como mortadela, salsicha, presuntos, hambúrgueres, também influencia no desenvolvimento das crises: tudo que é muito rotineiro da alimentação do brasileiro. “Vários estudos recentes mostram que os derivados do leite também pioram as crises. As minhas pacientes sabem, eu sempre peço: evitar o leite e seus derivados de sete a 10 dias, enquanto estiver na crise”, comenta o médico, acrescentando:

“Outras condições, como a própria gestação, as modificações que são esperadas do ciclo gravídico, podem desencadear ou favorecer o desequilíbrio dessa flora fúngica e causar o corrimento. Abro aqui um parênteses para também falar sobre o protetor de calcinha e absorvente: sempre tenho orientado minhas pacientes a preferir os absorventes e protetores de algodão, evitar os plásticos”.

Além dos fatores já citados, um outro ponto também ganha relevância entre as causas da candidíase: o estresse. “Se eu pudesse categorizar quais as pacientes que mais me procuram com crises de candidíase, são aquelas mulheres que assumem posição de chefia, líderes de trabalho, as profissionais de saúde também, as enfermeiras, técnicas, médicas, farmacêuticas, as professoras também”, pontua o especialista.

E como vencer tudo isso, diante de uma pandemia, das situações do dia a dia que deixam as mulheres tão estressadas? “É, de fato, um desafio, mas é preciso buscar um hábito de vida saudável, uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, buscar, mesmo diante do caos, momentos de satisfação ao longo do dia, com uma caminhada, conversa, para que não fiquemos bitolados nas energias ruins, nas coisas que nos trazem estresse, ansiedade, pressão”, aponta Maxson Bruno.

A prevenção à candidíase também passa por mudanças simples no cotidiano das mulheres: “A mulher em casa precisa deixar a vagina respirar. A genitália masculina é externa, mas a feminina é interna. A vagina é um órgão feminino, não é a estrutura por fora, que a gente conhece como vulva. Eu sempre falo para as pacientes: chegou em casa, está sozinha, com o parceiro, coloca um vestido, uma saia, e fica sem calcinha. É obrigação também, ao dormir, deixar a vagina um pouco mais livre”, sugere o médico.

Sobre a candidíase de repetição, o especialista destaca três características mais comuns nas pacientes que relatam essa recorrência das crises: “A vestimenta, o abafamento da região vagina; a alimentação fé ator que pesa bastante, principalmente naquelas mulheres viciadas em carboidratos, doces, chocolate, biscoito, e nos alimentos que já mencionei anteriormente; as pacientes estressadas, afinal são filhos, o trabalho, a tripla jornada que a mulher assume. Esses fatores acabam levando ao desenvolvimento da candidíase de repetição”.
Como tratar?

Segundo explica Maxson Bruno, existem várias estratégias de tratamento contra a candidíase, que variam de paciente para paciente. “É um tratamento particularizado, muitas vezes com antifúngicos orais, tópicos, e associando isso. Temos trabalhado bastante a possibilidade dos banhos de assento, do uso de alguns fitoterápicos. A gente entende que algumas ervas têm sim comprovadamente o poder de combater a cândida”, revela.

“Muitas vezes a paciente, cuja crise foi desencadeada pelo fator estresse, e a gente não conseguiu controlar, mesmo a paciente indo ao psiquiatra, psicólogo, nesses casos, em alguns momentos, para que a gente fuja um pouco da medicação de antifúngicos orais, a gente acaba sugerindo o fitoterápico para aquelas pacientes que já são adeptas, que já gostam das ervas”, acrescenta.

O médico reforça a importância dos banhos de assento. “É um momento espetacular no tratamento da cândida, não pelo banho em si, nem pelas ervas, mas pela junção das duas coisas, e por ser a hora da paciente relaxar, esquecer o mundo, colocar uma música agradável, muitas vezes é único momento da dona de casa a sós com ela mesma, é um tratamento acessório importante, mas reforço: mente sã, corpo sã”, diz.

Por fim, o médico enfatiza que a adoção de hábitos saudáveis contribui para a prevenção à candidíase: “Se a mulher deseja uma saúde genital, precisa mudar hábitos de vida, buscando atividades que tragam prazer e bem-estar. A vida é bela, a gente precisa de muito pouco para ser feliz, é preciso buscar a alegria motivação nas pequenas coisas, nos pequenos momentos. É sempre possível encontrar um caminho para que esses hábitos de vida sejam modificados, e a mulher precisa ter um momento para ela, para relaxar, se cuidar. Eu costumo dizer que a falta de saúde psicológica e mental reflete nessa falta de saúde ginecológica”, conclui.

Médico ginecologista e obstetra Maxson Bruno explica o que é a candidíase e destaca que mudanças no hábito de vida das mulheres podem prevenir a infecção

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