Ainda vai levar um tempo…

“Ainda vai levar um tempo, pra fechar o que feriu por dentro”, já dizia uma das músicas mais conhecidas do cantor Lulu Santos, frase que reflete bem esse novo momento do futebol brasileiro. Após a Copa, voltar aos gramados dos nossos estádios e às nossas competições só parece mesmo interessar a quem está lá na frente almejando coisas grandes, como a conquista dos nossos títulos nacionais.

Voltamos simplesmente à estaca zero. Como corinthiana que sou, e nunca escondi isso de ninguém, consigo ver que a desmotivação que tenho para assistir alguns jogos dos nossos campeonatos tem a ver justamente com a qualidade do que é jogado em campo, além do fato de que após as janelas de transferências dos jogadores, os times perdem bastante em qualidade técnica para o futebol estrangeiro, enquanto nós colocamos os nossos corações à disposição daquele sofrimento de toda quarta e domingo ou toda quinta e sábado.

Pra acabar de completar, voltamos também à estaca zero quanto à presença de jogadores brasileiros na lista de melhores do mundo feita pela FIFA. Fator sentido principalmente pela ausência de Neymar, que tem tudo a ver com a sua temporada individual, o seu tempo fora por lesão e ainda à bendita Copa do Mundo, onde ele acabou saindo com os holofotes virados para o lado negativo de suas jogadas. Não minto, entendo a imprensa internacional e também nacional pegando no pé, mas acho um baita exagero. Neymar mereceu estar fora da seleção da Copa, mas não foi o único que utilizou da catimba, da simulação e do exagero para tentar ganhar um lance. É, no mínimo, uma hipocrisia.

E assim caminha a nossa humanidade e o nosso futebol. Meio desacreditado, utilizado como chacota por catimbeiros hipócritas, por supostos santos do esporte, entregue a uma CBF que autodesvaloriza o campeonato brasileiro e confiando na paixão de todos nós pra elevar a audiência e ao mesmo tempo o preço dos ingressos, fora os de consumo, de estacionamento e por aí vai. Entre ratos e gatos entrando no gramado, erros da nossa querida arbitragem e aquelas baixarias de sempre entre dirigentes, tentamos roer o osso chamado temporada do futebol brasileiro, querendo acreditar que dá forma que segue sendo feito renderá bons frutos.

Uma hora a paciência acaba. E garanto que não é só a minha.

Larissa Maciel – estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da UERN

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