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larissa maciel

Faz duas semanas que não posto nada aqui na coluna devido as correrias da vida. Confesso que, pelo pouco tempo que estou tendo, tem sido cada vez mais difícil acompanhar o futebol brasileiro, quem dirá o internacional. Mesmo assim, algumas coisas acabam saindo de campo e tomam proporções bem maiores, que chegam em todos os ouvidos. É como uma bola chutada de forma errada, que entra na casa de uma pessoa e quebra um vidro, gera um estrondo e pode até causar medo. Foi assim que me senti ontem vendo torcedores do Atlético Mineiro cantando, assim como outras torcidas já fizeram, gritos homofóbicos. Uma bola fora gigantesca, que comprova que o futebol ainda é utilizado como um campo de guerra, um campo de ódio e preconceito, disfarçados por uma paixão à uma camisa, um time, um símbolo. Dizem que política não se mistura com futebol. Dizem que religião também não se mistura. Na verdade, se misturam até demais e é até compreensível. Mas por que então misturar amor com preconceito? Aliás, com violência verbal e moral, com uma intolerância que já deveria ter recebido há anos o seu merecido cartão vermelho. Se temos um país que mais mata pessoas LGBTs no mundo, temos um esporte preconceituoso, cheios de casos de racismo e homofobia, que utiliza de falas lotadas de ódio para justificar uma suposta liberdade de expressão, que atinge a liberdade de ir e vir e, de acima de tudo, de existir. O que torcedores atleticanos fizeram ontem não tem nada a ver com futebol, mas existe nele cada vez mais. Os cânticos de ameaça e de intolerância, falados como brincadeira, mostram a pessoa que as camisas muitas vezes disfarçam. É absolutamente repugnante as atitudes mostradas num clássico tão grandioso, mas que também é mostrada na clássica rotina e a população diz não enxergar. Essa bola fora eu não gostaria mais que quebrasse meu vidro de esperança em um mundo e em um país melhor e mais respeitoso. Essa bola fora eu gostaria que fosse furada pelas confederações, pelas lideranças, não somente por notas oficiais que nem sempre são eficazes. Essa bola fora pode ser revertida em campanha contra o ódio e o incentivo à tolerância. Essa bola fora, infelizmente, afasta muita gente do futebol e muita gente das ruas por medo de ser o que é e isso não deveria ser assim. Essa bola fora... bate na cara de um esporte mais humano, diverso e forte. Essa bola... tirem-a das mãos dos intolerantes. Larissa Maciel – estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da UERN
Na semana em que Tite volta a convocar a seleção brasileira com novos nomes, indicando o processo de reformulação, tem mais gaúcho chamando atenção no futebol brasileiro. Começo pelo Internacional, na vice liderança do campeonato e com uma regularidade que há muito tempo não se via no Colorado. Depois, temos um Grêmio recém eliminado da Copa do Brasil, mas que segue entre as cabeças no brasileiro, assustando um Flamengo que está meio zonzo, desengonçado, tirando a alegria que o seu torcedor vinha sentindo até então. Pra completar a gauchada, o Felipão de volta ao Palmeiras vai trazendo importantes resultados e uma invencibilidade alviverde para mostrar que não morreu para o futebol. Por anos, paulistas e cariocas duelavam e buscavam os mais altos patamares, ainda que hoje isso aconteça com menos sequência. Os gaúchos começam a pedir passagem, assim como os mineiros já tentaram uma vez nos últimos anos e tiveram graves quedas, novas estruturações. Será que teremos gaúcho tomando o chimarrão da vitória no final da temporada? Fica difícil prever. Só sei que neste fim de semana, churrasco não falta para Grêmio, Inter e o Felipão. Para Tite, sua famosa caipirinha deve estar guardada para outras ocasiões. No momento, toma algumas doses de críticas. Larissa Maciel – estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da UERN
“Ainda vai levar um tempo, pra fechar o que feriu por dentro”, já dizia uma das músicas mais conhecidas do cantor Lulu Santos, frase que reflete bem esse novo momento do futebol brasileiro. Após a Copa, voltar aos gramados dos nossos estádios e às nossas competições só parece mesmo interessar a quem está lá na frente almejando coisas grandes, como a conquista dos nossos títulos nacionais. Voltamos simplesmente à estaca zero. Como corinthiana que sou, e nunca escondi isso de ninguém, consigo ver que a desmotivação que tenho para assistir alguns jogos dos nossos campeonatos tem a ver justamente com a qualidade do que é jogado em campo, além do fato de que após as janelas de transferências dos jogadores, os times perdem bastante em qualidade técnica para o futebol estrangeiro, enquanto nós colocamos os nossos corações à disposição daquele sofrimento de toda quarta e domingo ou toda quinta e sábado. Pra acabar de completar, voltamos também à estaca zero quanto à presença de jogadores brasileiros na lista de melhores do mundo feita pela FIFA. Fator sentido principalmente pela ausência de Neymar, que tem tudo a ver com a sua temporada individual, o seu tempo fora por lesão e ainda à bendita Copa do Mundo, onde ele acabou saindo com os holofotes virados para o lado negativo de suas jogadas. Não minto, entendo a imprensa internacional e também nacional pegando no pé, mas acho um baita exagero. Neymar mereceu estar fora da seleção da Copa, mas não foi o único que utilizou da catimba, da simulação e do exagero para tentar ganhar um lance. É, no mínimo, uma hipocrisia. E assim caminha a nossa humanidade e o nosso futebol. Meio desacreditado, utilizado como chacota por catimbeiros hipócritas, por supostos santos do esporte, entregue a uma CBF que autodesvaloriza o campeonato brasileiro e confiando na paixão de todos nós pra elevar a audiência e ao mesmo tempo o preço dos ingressos, fora os de consumo, de estacionamento e por aí vai. Entre ratos e gatos entrando no gramado, erros da nossa querida arbitragem e aquelas baixarias de sempre entre dirigentes, tentamos roer o osso chamado temporada do futebol brasileiro, querendo acreditar que dá forma que segue sendo feito renderá bons frutos. Uma hora a paciência acaba. E garanto que não é só a minha. Larissa Maciel – estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da UERN
Reta final da Copa da Rússia, tantas surpresas, desilusões, felicidades e resultados que tornam a competição em pura história. Mesmo com a fatídica eliminação brasileira, a impressão que fica, além das saudades de viver cada minuto emocionante dos jogos, é que temos lições a aprender, táticas a se observar e, até o momento, também já temos um campeão definido. Nas vitórias e nas derrotas, sempre elegemos heróis e vilões. Você, caro (a) leitor (a), sei que elegeu os seus na seleção brasileira rs. Assim como eu, que a cada partida enxerguei nossos pontos altos e baixos, vi os perigos nos jogos adversários, mas desde o início notei quem seria o campeão. Silenciosamente, assisti ele jogar, definir as jogadas, ser preciso quando podia e não podia. E deixa eu te falar, é um campeão improvável! Devo estar te “agoniando” por não dizer quem levantará a taça. Mas é que o campeão que eu me refiro não é um vencedor de batalhas dentro de campo, nem de gols incríveis, nem de táticas que dão nó em quem vier pela frente. Infelizmente, é um campeão que superou todas as nossas expectativas, mas para o pior. É mais do que a derrota da seleção, pois também tira as nossas esperanças se ele assim continuar jogando. O campeão da Copa do Mundo de erros se chama arbitragem de vídeo, carinhosamente chamado de VAR. Não queria dizer isso, pode acreditar. Me dói bater de frente com uma tecnologia que veio na tentativa de ajudar, de solucionar as falhas humanas que interferem nos resultados. Mas é aí onde mora o problema: no time chamado arbitragem de vídeo, o artilheiro ainda é o humano que bate a cabeça com as regras, insiste em errar tendo um novo braço a seu favor. Concorda que nessa Copa tivemos bom futebol? Tivemos equipes em alto padrão, jogando o fino da bola e outras se autosuperando? Aposto que você também sentiu um frio na barriga quando esperou o árbitro olhar lá na “tvezinha” se foi pênalti, impedimento ou falta. A grande verdade é que a bola no pé brilhou, encantou nossas tardes e manhãs, mas o apito na boca e o olhar no vídeo deixou a desejar. Trouxe um campeão de erros, que se assim continuar, pode acabar sendo como um chute sortudo de longa distância, que passa rapidamente, marca a dor da derrota e a felicidade da vitória, mas é só. Gostaria, amigos e amigas, de voltar aqui nesta coluna para dizer que o VAR se olhou no espelho e corrigiu seus erros, calando a boca dessa pessoa que vos fala rs. Mas, neste momento, insisto: o campeão da Copa do Mundo da Rússia já é o VAR. Pelo egoísmo para consertar os próprios erros, pela falta de senso ao não seguir rigorosamente os novos critérios, pelo salto alto de alguns árbitros autossuficientes. Nenhum time de futebol é tão prepotente assim para, durante a partida, não enxergar seus pontos. erros e tentar evoluir. Que sejamos humanos ou não, tecnológicos ou não, mas sejamos justos. O VAR ganhou essa taça, mas justo ele não foi. Larissa Maciel – estudante de jornalismo do curso de Comunicação Social da UERN