Não, você não precisa do sal rosa

por Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

O sal faz parte da história da humanidade, e ao contrário do que muitos pensam, ele é essencial para a saúde e nos traz inúmeros benefícios. Para a OMS (Organização Mundial da Saúde), o consumo diário de sal deve ser limitado a 5g de sal, o que equivale a 2g de sódio.

O nosso sal de cozinha passa por um processo de refinamento em que é retirada a maioria dos seus minerais, com a exceção de sódio e cloreto, e são acrescentados produtos químicos para sua “limpeza” e branqueamento.

Já o sal rosa é extraído das minas secas do Himalaia, na Ásia, e não passa pelo processo de refinamento. E segundo pesquisas, o mesmo apresenta um grande número de minerais em sua composição e apenas 240 miligramas de sódio por grama do produto (260 a menos que o sal refinado). E é baseado nisso que ele vem sendo amplamente divulgado e consumido.

Mas considerando essa preservação de minerais do sal do Himalaia, isso realmente faz diferença? NÃO! O que esse sal apresenta são TRAÇOS de minerais, ou seja, quantidades insignificantes quando comparadas às nossas necessidades diárias. O consumo de nenhum sal, nem o rosa do Himalaia, nem mesmo o azul de Urano, representará uma fonte expressiva de minerais — com exceção do sódio, é claro.

A concentração de minerais no sal rosa é bastante superior à dos demais sais. Chegando a ser 300% superior para o cálcio e mais de 7400% superior para o magnésio, por exemplo, quando comparada à do sal refinado. Mas isso nada adianta se, na prática, essas quantidades de minerais encontradas no sal rosa ainda são muito pequenas em relação às necessidades diárias. Além disso, em relação ao sal rosa, não existem estudos que avaliem sua concentração de iodo, e por isso ela é desconhecida. O mesmo também não passa pelo processo de iodação. Essa estratégia foi de grande importância para reduzir a deficiência de iodo na população em todo mundo, deficiência essa que podem levar ao hipotireoidismo, pode causar cretinismo em crianças (retardo mental grave e irreversível), surdo-mudez, anomalias congênitas, bem como a manifestação clínica mais visível – bócio (hipertrofia da glândula tireóide). Além disso, a má nutrição de iodo está relacionada com altas taxas de natimortos e nascimento de crianças com baixo peso, problemas no período gestacional, e aumento do risco de abortos e mortalidade materna.

Por fim, a partir dos dados disponíveis, fica claro que, do ponto de vista de nutrientes, o sal rosa não apresenta nenhuma vantagem em relação ao sal refinado, dessa forma, não há razões concretas para a troca. A não ser que você queira mesmo. Lembrem-se, o problema é o excesso de sal. Não o consumo dele. Moderação sempre!!

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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