Metade de mim – História e Poesia

por Solange Santos

Se um dia eu me pegar pensando em ti, saberei da grandeza dos meus sentimentos. Porque metade de mim é amor, a outra metade é lembrança.

Quando minha boca sentir falta dos teus beijos, fecharei meus olhos para sentir seu corpo sobre o meu. Porque metade de mim é desejo, a outra metade também.

Às vezes me pego escrevendo versos pra ti, palavras de desejo, admiração, carinho e gratidão. Porque metade de mim é sentimento, a outra metade é lamento.

Se durmo, é com você que sonho, se estou acordada é para você que eu canto. Porque metade de mim é imaginação, a outra metade é desilusão.

Que meus medos não me impeçam de ir além, que a morte eu não sinta mais em ninguém. Porque metade de mim é insegurança, a outra metade é aflição.

Que minha voz transmita muito mais que gritos, que leve poesia, amor e gemido. Porque metade de mim é anseio, a outra metade é solidão.

Que meus versos não sejam vistos como palavras jogadas ao vento, que possam ser compreendidos e respeitados. Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que falo.

Que essa vontade que eu sinto de viver momentos, me proporcione dias mágicos e inesquecíveis. Porque metade de mim é lucidez, a outra metade é maluquez.

Que essa dor que carrego no peito, um dia possa refletir no meu desejo de ser amada e de amar de verdade até a eternidade. Porque metade de mim é vida, a outra metade é melancolia.

Que o medo da solidão deixe de existir e que minha companhia possa ser desejada. Porque metade de mim é carência, a outra metade eu não sei.

Que um dia eu possa acordar do teu lado, envolvida nos teus braços, sentindo teu cheiro na minha pele. Porque metade de mim é santo, a outra metade é profano.

Foto: Pacífico Medeiros

Comunicóloga graduada pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN – Poetisa nas horas da vida.

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