Magro de “ruim”: por que tem gente que come muito e não engorda?

por Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

Em tempos onde a obesidade se tornou um problema de saúde pública mundial, a insatisfação com o corpo não ficou apenas para quem tem alguns quilinhos a mais. Embora por muitas vezes sejam chamados de “sortudos”, quem tem menos, também se incomoda e não se sentem tão felizes assim.

É preciso saber diferenciar a magreza constitucional, onde o organismo consome praticamente toda a energia que é ingerida e acumula muito pouco na forma de gordura, da magreza patológica, que é a perca de peso sem motivo aparente e sem mudanças radicais nos hábitos alimentares, nesse caso, não é normal perder 5 kg em dois meses ou 3 kg em duas semanas. Por trás desse emagrecimento, pode estar um distúrbio hormonal, por exemplo, o hipertireoidismo, uma vez que o funcionamento excessivo da glândula tireoide faz a pessoa perder peso, mesmo que esteja comendo mais do que habitualmente. Não sentir fome por longos períodos também é sinal de alerta!

É considerado magro, o indivíduo que possui o Índice de Massa Corporal (IMC) a baixo de 19 kg/m², mas a magreza começa a causar preocupação quando o IMC é menor que 17 kg/m². Magreza excessiva é preocupante pois significa que vários nutrientes importantes como vitaminas e proteínas, estão em déficit no organismo.

Mas e aí, nutri, o que causa essa dificuldade em ganhar peso?

Da mesma forma que a obesidade é uma doença multifatorial, essa dificuldade também pode estar relacionada a vários fatores determinantes:

· Metabolismo: Algumas pessoas gastam mais calorias para manter o corpo funcionando, ou seja, para respirar, no funcionamento dos órgãos e para pensar.

· Genética: Pesquisas apontam que fatores genéticos são responsáveis por 40% a 70% da definição do gasto calórico. Nesse caso, o corpo nasce programado para gastar mais energia ao realizar atividades.

· Composição corporal: O percentual de massa muscular também influencia, quanto mais músculos, maior o gasto energético.

· Enzimas: Em estudos feitos com camundongos, foi observado que os ratos que não possuíam a enzima MGAT2 eram capazes de consumir mais calorias do que os demais, sem engordar. E isso aconteceria devido a gordura consumida ser queimada ao invés de ser armazenada. Essa enzima também é encontrada em humanos.

· Proteínas Desaclopadoras (UCPs): Naturalmente, os alimentos que consumimos podem ser armazenados sob a forma de gordura e músculo ou absorvidos sob a forma de energia. Estudos mostram que a quantidade de UCPs que absorvem em forma de energia e não deixam o alimento ser armazenado é maior nos magros do que nos obesos.

· Alimentação: Por mais que alguns jurem de pé junto que não conseguem engordar, a causa muitas vezes é simplesmente o fato de não saber comer.

Essas são só algumas das possíveis causas, a solução não é mágica, e não vai simplesmente cair no seu colo. Se você realmente tem dificuldade para ganhar peso, não saia simplesmente comendo tudo que é besteira em busca desse objetivo. Procure um profissional, juntos vocês vão descobrir de onde vem essa dificuldade e passar a resolver o problema. Quando o objetivo é esse, o ideal é aumentar o peso muscular, já que músculo pesa mais do que gordura. Mas não saia por aí buscando a perfeição, busque a sua melhor versão!

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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