Compulsão por doces

por Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

Com toda certeza você já leu em algum lugar que o açúcar é viciante. Da mesma forma, todos nós em algum momento de nossas vidas já sentimos a extrema necessidade de consumir algo doce. Isso acontece porque no momento que ingerimos alguma guloseima, o cérebro libera substâncias químicas naturais que nos dão uma súbita sensação de prazer. Ao identificar essa sensação boa, o cérebro tende a pedir mais e mais dessas substâncias e consequentemente, mais açúcar. Em um estudo feito na Universidade de Princeton, nos EUA, foi constatado que o consumo excessivo de açúcar modifica o comportamento e causa alterações no cérebro similares aos efeitos causados por abuso de drogas. O que nos mostra, a real capacidade viciante do açúcar.

Black woman making a mess eating a huge fancy dessert

Outras possíveis causas para a compulsão estão relacionadas à deficiência de serotonina, que nada mais é que um neurotransmissor (mensageiro do cérebro) do humor, a resistência à insulina, e aumento do cortisol (hormônio do estresse). Mas também pode estar associada a alguma deficiência na absorção de nutrientes, como ácido fólico, vitamina B6, vitamina B12, magnésio e zinco. E à saúde da microbiota intestinal.

Quando você ingere açúcar ou carboidrato, você tem um pico de glicemia, isto é, um crescimento rápido do açúcar no sangue, isso faz com que o pâncreas seja estimulado a produzir e liberar mais insulina, que irá converter a glicose em energia e o seu excesso será transformado em gordura. O problema da compulsão por doces, vai muito além da obesidade. O excesso de açúcar pode causar, diabetes, cáries, depressão do sistema imunológico e alterações de humor, todo cuidado é pouco.

Para controlar a compulsão é preciso tempo e paciência, se você realmente se considera um viciado em doces, não vai ser de um dia para o outro que isso vai mudar, nem muito menos, vai ser um processo fácil, mas algumas dicas podem te ajudar:

· Reduza a ingestão de alimentos industrializados ao máximo, principalmente os que contém farinha branca;

· Prefira carboidratos complexos (integrais) com menor índice glicêmico e que possuam mais fibras;

· Aumente o consumo de alimentos ricos em triptofano (aminoácido que ajuda a controlar o estresse), como banana, feijão, lentilha, iogurtes, nozes;

· Beba bastante água, o cérebro tende a confundir desidratação com fome;

· Procure sempre fazer refeições com todos os macronutrientes (carboidratos, lipídios e proteínas). Gorduras e proteínas garantem uma maior saciedade e por mais tempo, ajudando a resistir a vontade de comer doce;

· Evite comprar doces para estocar em casa. A facilidade do acesso pode aumentar a tentação. Compre sempre apenas o que vai consumir na hora;

· Retire o açúcar dos sucos e cafés aos poucos. Com o tempo, o seu paladar irá se adaptar e diminuir a compulsão;

· Equilíbrio. Não é proibido comer um docinho, só não exagere.

Pode até parecer bobagem hoje, mais com o tempo essa compulsão poderá acarretar problemas que você levará para a vida toda. Cuidado! Na dúvida, procure um profissional, ele irá te ajudar e orientar nesse desafio.

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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