Campanha #criancanaonamora

A cena é corriqueira. Cedo ou tarde, os filhos voltam da escola anunciando um namorico com um coleguinha, menino ou menina. A reação dos pais oscila entre o susto e a surpresa. Nunca passa em branco. E nem pode.

A Secretaria de Assistência Social do Amazonas lançou uma campanha na internet contra a erotização precoce das crianças, com o slogan “Criança não namora, nem de brincadeira”, e a hashtag #criancanaonamora ganhou as redes sociais e faz parte de uma ação mais ampla do governo do Amazonas que pretende mobilizar escolas, comunidades, psicólogos e pais contra a exploração infantil. O slogan foi criado em parceria com a blogueira Dany Santos, depois que ela publicou um texto sobre o assunto. No blog “Quartinho da Dany”, ela aborda os mais diversos temas que envolvem maternidade e infância. “Criança se relaciona com os amiguinhos, e eles são, simplesmente, amigos. Amizade é o nome. Insistir em namoro na infância é adultizar as crianças, incentivar a erotização precoce”, diz um trecho do texto.

É preciso respeitar cada etapa da vida. Uma criança não sabe o que é um namoro, ela não tem esse discernimento. Do ponto de visto psicológico e biológico, precisam amadurecer.

É bom ressaltar que, no geral, as crianças apenas reproduzem o que veem em casa ou o que são incentivadas a fazer ou a dizer.

Para Vera Zimmermann, psicanalista do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (SP), o machismo ocupa papel central nessa história. Em idade escolar, meninos são incentivados a terem uma “namoradinha”, e meninas são ensinadas a se comportar. Essa é a regra geral. “Os pais interpretam o interesse pelo outro, as preferências por tais e tais amigos, as primeiras escolhas infantis, como algo erótico, quase genital. Não se trata disso. A criança só está aprendendo a fazer amigos e a se relacionar. Não são namoradas ou namorados. Essa é uma projeção dos adultos.”

Professores e escolas também precisam estar atentos. A conversa precisa de uma correção de rota, caso o papo de namoro surja muito cedo. A brincadeira infantil é um exercício de comportamento; ao pular o aprendizado, a criança apenas reproduz comportamentos, sem compreendê-los. A hora de namorar vai chegar.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também abraçou a iniciativa, que logo tomou proporção nacional. De acordo com a Secretaria do Amazonas, o objetivo da campanha é conscientizar pais e responsáveis sobre relacionamentos infantis. Desde então, a hashtag #criancanaonamora ganhou as redes sociais e passou a fazer parte de uma ação mais ampla do governo do Amazonas, cuja intenção é mobilizar escolas, comunidades, psicólogos e pais contra a exploração infantil.

Para os especialistas, simular compromisso entre duas crianças, além de não ser saudável, traz malefícios para o desenvolvimento infantil. A educadora Ana Carolina Baptista Ribeiro tem observado essa erotização precoce.

É bom estarmos sempre alerta tanto com nossas ações quanto nas ações das crianças.

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