Campanha ‘Conecte-se ao que importa’

É possível manter uma relação saudável com a tecnologia?

Um número cada vez maior de empregos envolve olhar para o computador o dia todo e fazer hora extra com o celular. E quando não estamos fazendo isso, no trabalho, muitos de nós temos uma telinha de smartphone no bolso, uma TV “inteligente” na sala, um notebook no quarto ou um iPad para levar à cama ou ao banheiro. Se passamos tanto tempo com objetos tecnológicos conectados, é preciso saber como se relacionar com eles e como não gastar tempo ou dinheiro demais.

Uma campanha, lançada pelo Projeto Dedica (Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes), capitaneado pela Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas, em Curitiba, e que serve para todo o mundo, está chamando a atenção dos pais para um assunto muito presente no nosso dia a dia: a hiperconectividade. E não pense que é só dos nossos pequenos, não.

 

A campanha coloca o dedo na nossa ferida. Gera uma identificação com nós mesmos: pais bacanas, preocupados com os filhos, que amam e cuidam. Mas, mesmo assim, passamos mais tempo do que deveríamos olhando para uma tela, postando em redes sociais, curtindo a vida dos outros. E, na contrapartida, abrimos caminho para que nossos filhos também passem mais tempo no mundo virtual do que no real. Achamos mais fácil distraí-lo na viagem com joguinhos eletrônicos no celular do que inventar brincadeiras, contar histórias e, principalmente, lidar com a ansiedade (absolutamente normal, diga-se) para chegar logo ao destino final.

O projeto todo é bem maior que isso, trata de crianças que sofreram abuso sério ou seríssimo. E daí você me pergunta: o que uma coisa tem a ver com a outra? A psiquiatra Luci Pfeiffer, uma das maiores estudiosas do Brasil nesse assunto, decidiu lançar o tema para a sociedade a partir de uma violência que está perto de todos nós, mas que muitas vezes não enxergamos: a violência digital.

Pare e pense: quantas vezes não somos intimados pelos nossos filhos para que larguemos o celular e prestemos mais atenção neles? Quantas vezes não vemos bebês em restaurantes sendo acalmados por tablets e celulares? Uma prova disso é que, segundo uma pesquisa da AVG Technologies, 63% das crianças entre 3 e 5 anos conseguem jogar algum tipo de jogo eletrônico, mas apenas 14% sabe amarrar os sapatos sozinho.

Vamos observar os nossos comportamentos?! O tempo não espere ninguém.

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