As cinco fases do brincar e a importância de cada uma para o seu pequeno (a)

Brincar é a primeira forma de aprender das crianças, uma atividade que começa desde os primeiros meses e que se estende por quase toda a vida – e cada fase desse mundo de descobertas e diversão tem suas particularidades e importância. Saiba quais são as diferentes etapas da brincadeira na trajetória do seu pequeno e como você pode ajudá-lo a evoluir através de cada uma delas.

Brincadeira funcional

Esse tipo de diversão envolve brincar com o próprio corpo, como quando o bebê tenta puxar os pés ou se diverte olhando para as mãozinhas. “O corpo é o primeiro instrumento que a criança tem para fazer contato com o mundo e é o que faz ela entender esse mundo. Essa brincadeira tem seu ápice no primeiro ano de vida e acontece de várias formas, desde mover as perninhas, até rolar, se arrastar ou engatinhar.  Consideramos esse o alicerce do desenvolvimento motor, e precisamos estimular”, explica a pedagoga Luciana Brites, especializada em Educação Especial e fundadora do Instituto NeuroSaber.

Mas, afinal, como você pode ajudar neste momento? “É muito importante que os pais deixem que elas vivam essa fase de maneira adequada, não tendo medo de colocar no chão para que façam isso ou tentando impedir. Estimule também brincando com a criança no banho sem utilizar brinquedos, lavando e falando com ela, dando apertinhos, segurando e soltando a mãozinha. Tudo isso é simples, mas tem um grande valor”, indica.

Brincadeira solitária

Quando já consegue andar e falar, é comum que os pequenos passem a esse segundo passo de brincarem sozinhos – geralmente sem vontade de envolver pais ou os irmãos. “Essa é a fase que trabalha a propriocepção, ou seja, como eu interpreto os estímulos que estão a minha volta. Depois de explorar meu corpo, eu passo a explorar o restante e ter uma leitura das percepções. É importante que a criança faça isso, porque é a porta de entrada para muitos aprendizados, inclusive o escolar”, conta.

Muitos pais têm medo de que esse hábito seja um indicativo de problemas ou de introspecção, mas é preciso abandonar esse conceito e deixar que a criança tenha o seu próprio tempo. “Esse tipo de brincar geralmente vai até os dois anos, e é legal diferenciarmos o brincar da dificuldade de atenção compartilhada, que é quando você aponta e estabelece uma comunicação e mesmo assim ela fica presa em uma atividade sem interação. Nesse caso, é melhor investigar. Outro erro comum é encher o filho de brinquedos: quando vamos trabalhar essa brincadeira solitária devemos dar um por vez para que ele explore tudo nesse objeto, e então passe para outro”, esclarece.

Brincadeira observativa

Seu pequeno olha para outras crianças brincando, mas não quer participar? Pode ficar tranquila, ele só está entrando na fase da observação. “Isso é normal e devemos estimular. Os seres humanos possuem o chamado neurônio espelho, que nos faz ativar as mesmas áreas do cérebro que usaríamos se estivéssemos fazendo uma atividade sem de fato fazer, apenas olhando outra pessoa. Quando ele está observando está criando estratégias de como poderá brincar com aquilo e está criando um juízo. Aos poucos, as crianças vão sentindo segurança e passam a participar, e é importantíssimo respeitar isso e não encarar como um problema”, informa a especialista.

Apesar de começar por volta dos três anos, essa fase não tem um tempo definido para passar, já que ao entrar em novos grupos – como na escolinha – é comum voltar ao hábito de primeiro olhar para depois fazer (um hábito conservado até mesmo pelos adultos). “O que os pais podem fazer é conversar com a criança perguntando o que ela acha daquilo que está vendo, o pensa sobre aquilo, e se a observação não causa um sofrimento de querer brincar, mas não conseguir por medo”, adverte.

Brincadeira paralela

Depois de arrumar os primeiros amiguinhos, as crianças passam a brincar perto deles – embora isso não signifique interagir. “Ela vai por aproximação, primeiro observa e depois começa a trabalhar para entender e imitar o que o outro está fazendo, que é a brincadeira paralela. Isso é muito bacana, porque mostra que ela está tentando pertencer ao grupo, é uma estratégia de interação. As crianças vão permanecer nessa fase até que realmente consigam interagir, e ela costuma acontecer ao mesmo tempo que a observativa, até cerca de cinco anos”, aponta.

Brincadeira cooperativa

A brincadeira cooperativa é aquela em que você se diverte interagindo com o outro, e que também ensina muito. O principal? Tentar se manter de fora quando ela acontece entre duas crianças: “Depois de todos os processos anteriores chegamos a este, que exige um maior nível de elaboração mental das crianças por precisarem assumir papeis e criar regras. Agora ela depende que o outro entre na brincadeira dela e ela na dele.

É um momento muito rico para trabalhar limites e empatia, porque até então a criança está em uma fase mais egocêntrica em que o dela é mais importante. Você tem um desenvolvimento de linguagem, poder argumentativo, e esse brincar faz toda diferença nisso. Como mãe, deixe que os pequenos se entendam, sem tomar a frente ou se intrometer quando chegarem a impasses, porque eles precisam construir a própria visão do que é certo”.

Fonte: Portal Daqui Dali.

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