Amamentar, um ato de amor

Estamos na Semana Mundial do Aleitamento Materno, e nada mais justo do que trazer para essa coluna a amamentação como tema principal. Segundo a OMS, no Brasil apenas 38,6% dos bebês recebem aleitamento materno exclusivo pelo menos até os 5 meses de idade. Quando é considerado a amamentação até um ano, a taxa sobe para 47%, mas apenas 26% das crianças recebem o aleitamento até os 2 anos de idade. No mundo, apenas 23 países superam a taxa de 60% de amamentação exclusiva nos 6 primeiros meses. A OMS analisou a amamentação em 194 países.

Amamentar é um ato natural de todos os mamíferos e é a melhor forma de alimentar e proteger os bebês nos seus primeiros meses de vida. O colostro, como é chamado o primeiro leite produzido pela mãe, horas a pós o parto, é considerado a “primeira vacina”, pois contém proteínas e anticorpos que não conseguiram atravessar a barreira da placenta.

Mas infelizmente, mesmo quando a mãe quer amamentar, existem muitas dificuldades e mitos que podem impedir que isso aconteça.

– Um deles é o famoso “leite fraco”, ele não existe, mesmo quando a mulher tem algum grau de desnutrição, o leite consegue ser adequado para o bebê.

– Bebê gordinho deve mamar menos, isso também não existe, o sobrepeso do bebê nessa fase se dá devido a outros fatores, sejam eles genéticos, biológicos ou endócrinos.  

Amamentar não é um conto de fadas, claro que algumas mães tem mais facilidade que outras, mas geralmente a maioria passam por alguma dificuldade, como:

– Empedramento das mamas, que geralmente é causada pelo excesso de leite e pode dificultar a pega do bebê, levando a muito dor. Uma dica é retirada do leite antes da mamada e o uso compressas quentes após e frias no intervalo entre as mamadas.

– Mastite, uma inflamação na mama causada por bactéria a partir de rachaduras, levando a muita dor, febre e desconforto, podendo causar formação de um abcesso. Nesse caso, o tratamento é feito com antibiótico e um médico deve ser procurado, a amamentação deve ser suspensa.

– Insuficiência de leite, a baixa produção de leite pode deixar o bebê com fome, mas isso deve ser avaliado pela baixa frequência de urinas ou curva de crescimento, e se comprovada, a amamentação deve ser complementada e não substituída completamente.

Mas tudo isso tem uma causa nobre, o leite materno traz inúmeros benefícios para mãe a para o bebê, como:

Contato bebê-mamãe: Que controla a ansiedade e o estresse materno e tranquiliza o bebê, o deixando mais seguro;

Fortalecimento da imunidade: O leite  materno contém células de defesas e fatores anti-infecciosos capazes de proteger o organismo do bebê;

É o melhor alimento para o intestino: Pois contém enzimas já conhecidas pelo organismo do bebê, diferente do leite de vaca e dos artificiais, que podem levar a alergia;

Diminui os riscos de alergias futuras: O esforço para sugar o leite pode ajudar no desenvolvimento dos pulmões do bebê, fortalecendo o órgão contra alergias;

Evita cólicas: Pois as proteínas do leite materno não fermentam tanto quanto as demais, dessa forma, produzem menos gazes evitando as cólicas;

Entre outras, diminui os risco de doenças crônicas futuras, como a obesidade, ajudar no desempenho cognitivo e no desenvolvimento da arcada dentária. E nada melhor para uma mãe que vê o seu bebê bem, não é?

Lembrando que é muito importante o cuidado com a alimentação enquanto estiver amamentando, pois indiretamente o bebê também estará consumindo a mesma coisa que a mãe. O consumo de líquidos é muito importante, pois ajuda no aumento da produção de leite. Evitar comidas industrializadas e muito temperadas, procurar comer carne vermelha de duas a três vezes na semana e feijão todos os dias. Expor os seios ao sol também ajuda a fortalece-los e a evitar rachaduras.

Atenção!

Até o seis meses de idade o bebê deve receber aleitamento materno EXCLUSIVO, nada de frutinhas, sucos, chás ou água. O leite é tudo que o bebê precisa nessa fase. A mãe deve se alimentar bem para passar sempre o melhor para seu filho (a).

Se você já é mãe, está grávida ou pretende, te digo, na prática a teoria é sempre outra, mas bem orientandos evitamos muito sofrimento. Procure um profissional capacitado. Você não está sozinha!

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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