Alimentação complementar: o que o meu bebê vai comer?

por Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

Uma dúvida bem frequente das mães, principalmente as de primeira viagem é sobre a introdução alimentar dos bebês. Quando, quais alimentos são permitidos, como oferecer, suco, água, fruta ou papa salgada são questões que sempre surgem. Esse é um momento muito importante para a criança e para a família e deve acontecer de forma tranquila e segura. Então, nada melhor do que algumas dicas para ajudar nesse processo. O tema é um pouco complicado, muitas mães provavelmente ouviram coisas diferentes de seus pediatras. Mas as informações contidas aqui são baseadas no Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Quando?

Antigamente a recomendação era iniciar a introdução dos alimentos aos 4 meses, porém, isso mudou e agora a indicação é que seja feita aos 6 meses. Isso porque o intestino do bebê precisa estar desenvolvido o suficiente para receber os alimentos e se proteger de possíveis danos. Por volta de 6-7 meses de idade, os intestinos dos bebês estão maduros e capazes de filtrar os alérgenos mais ofensivos. Além disso, antes dos 4 meses de idade, o mecanismo de engolir do bebe é feito para trabalhar com sugar, mas não mastigar.

Não há evidências de que exista alguma vantagem na introdução precoce (antes dos seis meses) de outros alimentos que não o leite humano na dieta da criança. Por outro lado, os relatos de que essa prática possa ser prejudicial são abundantes.

Quais alimentos?

A composição da dieta deve ser equilibrada e variada, fornecendo todos os tipos de nutrientes, desde a primeira papa.

* Cereais (arroz, aveia, milho), tubérculos (batata, macaxeira, beterraba), carnes, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha), frutas e hortaliças devem compor a alimentação complementar.

* As frutas in natura, preferencialmente sob a forma de papa, devem ser oferecidas nesta idade, amassadas, sempre em colheradas, ou espremidas. Lembrando que nenhuma fruta é contraindicada.

* Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

* Quanto a consistência, deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com a pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família. O LIQUIDIFICADOR NÃO DEVE SER USADO PARA TRITURAR OS ALIMENTOS.

* Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros DOIS ANOS de vida. Usar sal com moderação.

* Ao contrário de nós adultos, a criança não conhece o doce do açúcar, e eu juro, ele não vai sentir falta até que você apresente.

* O ovo (clara e gema) deve ser introduzido também aos 6 meses, lembrando que frequentemente as mães oferecem para as crianças alimentos que já possuem ovo na sua composição, por isso não seria necessário retardar a sua introdução.

* O leite de vaca integral, por várias razões, entre as quais o fato de ser pobre em ferro e zinco, não deverá ser introduzido antes dos 12 meses de vida. É um dos grandes responsáveis pela alta incidência de anemia ferro priva em menores de 2 anos no Brasil. Alimentação complementar não é dar outro tipo de leite para o seu filho e oferecer outros alimentos!

* Horários rígidos para a oferta de alimentos prejudicam a capacidade da criança de distinguir a sensação de fome e de estar satisfeito após a refeição. No entanto, é importante que o intervalo entre as refeições seja regular (2 a 3 horas), evitando-se comer nos intervalos para não atrapalhar as refeições principais.

* Ofereça os alimentos sempre separados, assim o bebê irá identificar cada sabor. E fica mais fácil descobrir o que ele aprovou ou não. Mas atenção: os pais devem oferecer de 12 a 15 vezes o mesmo alimento para que o bebê aprenda a gostar. Não desista de primeira.

* Calma, tamanho do prato não é documento. Não é sempre que seu filho vai comer tudo. Respeite a fome dele (a). E não ofereça alimentos compensatórios para fazê-lo comer tudo.

* Lembre-se da água, a criança precisa se hidratar, ofereça sempre nos intervalos entre as refeições.

Marina Castro – Nutricionista – CRN 21432/P

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